Agradeço todas as dificuldades que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito.(chico xavier

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Um alerta para mim e para os dirigentes

Por diversas razões nunca me preocupei em querer aumentar a corrente de Umbanda que dirijo. Por outras diversas razões a corrente
cresceu. Mas, por nunca me preocupar em crescer hoje me deparei com algumas razões muito mais relevantes que não tinha me dado conta no passado, e que agora vejo como um grande alerta a mim e a todos os dirigentes.
Podemos observar buscas frenéticas para atrair fiéis e mais fiéis, diversas religiões têm dedicado muito esforço, tempo e dinheiro na tentativa de aumentar seu rebanho, ou impedir que o rebanho seja drenado para outras denominações de fé.
Esta busca incessante de atrair mais fiéis faz com que alguns sacerdotes afirmem em entrevistas que suas religiões precisam mudar, precisam se adaptar as novas tendências, aos novos anseios, que é preciso “falar o que o povo fala, dar o que o povo quer”.
Logicamente a religião é um ato humano, portanto um conjunto de ações e doutrinas de um determinado momento histórico, portanto é fundamental que toda religião seja autocrítica e promova em seu interior revisões constantes, reflexões demoradas e difíceis sobre todo seu conjunto de entendimentos. É preciso que toda religião ouça o que a sociedade diz, enxergue o que a sociedade faz e vive.
Mas, a grande questão não está na constante revisão, adaptação de textos, e sim no foco que esta revisão deva se dar. Enquanto uns querem revisar para atrair mais pessoas, outros querem revisar para ficarem mais perto da verdade divina.

Esta é a grande diferença. Nos tempos de hoje políticos fazem dezenas, centenas de pesquisas para saberem o que os eleitores querem, como querem, etc. E passam meses vestindo aquela roupa, usando este ou aquele vocábulo, prometendo isso ou aquilo, não porque acreditam, mas porque as pesquisas apontam que esse caminho é o caminho do voto. Há pouco tempo atrás as campanhas eram momentos de mostrar as diferenças de projetos, das visões de mundo dos candidatos, buscava-se a diferenciação.


Em diversas religiões o que tem acontecido é justamente isso, vamos mudar para aumentar o rebanho. E isso também ocorre com a nossa Umbanda. Muitas casas promovem seus espaços prometendo uma série de vantagens, e outras formas para atrair um número cada vez maior de pessoas.
Infelizmente isso tem um preço.
Quando temos a obrigação de conduzir uma casa, nossa preocupação tem que ser apenas uma: seguir a vontade de Deus e assim dos Orixás. Isto significa promover os Orixás na Terra, trazer a vontade de Deus para nossas vidas, zelar pela mediunidade dos filhos de terreiro, atender os consulentes segundo a vontade de Deus, entre outras coisas.
Portanto quando minha preocupação é a clientela, nem sempre posso seguir a vontade de Deus, pois o que me interessa é agradar aos consulentes e não obrigatoriamente a Deus. Mudanças de ritual para agradar determinado tipo de público, diminuição de preceitos para facilitar a vidas dos filhos que ainda não entendem a importância dos ritos, flexibilizar enfim, para agradar.
E quando algo mais sério acontece, e é preciso uma fala mais dura, há o temor de se perder os filhos. Quando uma entidade demonstra que é preciso quebrar algum paradigma, ir contra uma tendência, não se pode pensar em agradar. Quando é imperioso tecer comentários que vão contra uma moda, é preciso que se faça sem medo de perder filhos.
E isso se resume em um mandamento. Ama a Deus sobre todas as coisas. Ou seja, submete a Deus tudo, e depois se for de acordo com Ele faça o resto. Não podemos descuidar disso, pois, do contrário ao invés de buscarmos a evolução, estaremos disseminando a mesmice e  a perpetuação do sofrimento. A liberdade do espírito não se alcança sem quebras, sem uma grande dose de esforço, uma dose de sofrimento, e outra de paciência.
Portanto, devemos mudar, sim, mas para ficarmos mais perto da verdade, e não para reproduzirmos o que os homens querem. Imaginemos se Jesus fizesse isso, ou Buda, não estaríamos aqui hoje falando, pois tudo estaria como antes.
As vezes é preciso falar, outras calar, muitas vezes ouvir, mas sempre tendo como medida – ama a Deus sobre todas as coisas. Mais uma vez estamos diante da vaidade, do orgulho. Cuidar e assear nossa alma para que busquemos a verdade, a luz, e a liberdade, e não o aplauso, o reconhecimento, o número, essa é minha oração de hoje; para mim e para todos os dirigentes de todas as religiões.
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